terça-feira, 30 de agosto de 2016

Questões Vestibulares Agropecuária 4

Questão 60)
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O Globo, 28/01/2010
Os conflitos relacionados à propriedade fundiária no Brasil possuem raízes históricas profundas e uma multiplicidade de agentes sociais envolvidos.
Na situação referida nos quadrinhos, um desses agentes sociais, o grileiro, é mais especificamente definido por:
a) apoderar-se de terras de forma ilegal
b) promover a segurança pessoal dos latifundiários
c) pressionar os pequenos fazendeiros para a venda dos imóveis
d) ocupar uma pequena área desprovida de título de propriedade
Gab: A
Questão 61)
A distorção fundiária registrada no gráfico abaixo resulta de variados fatores histórico-geográficos. Diversos processos sociais e políticos colaboram para o agravamento dessa situação.
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MOREIRA, I. O espaço geográfi co. São Paulo: Ática, 2000. p. 320.
Um dos processos associados diretamente ao agravamento dessa situação fundiária é a
a) criação de cooperativas de produção e comercialização da pequena produção rural
b) incorporação de terras devolutas ao processo de reforma agrária em curso no país
c) política governamental de fomento à expansão continuada da agricultura familiar
d) prática agrícola da agroecologia voltada às propriedades de pequeno e médio porte
e) venda de terras por parte dos pequenos proprietários rurais para os produtores maiores
Gab: E
Questão 62)
A escalada dos conflitos fundiários envolvendo indígenas e fazendeiros no Mato Grosso do Sul conta com um elemento adicional para jogar água na fervura: a valorização da terra por conta da mais nova febre agrícola na região, a cana-de-açúcar.Apesar da publicação, em setembro de 2009, do Zoneamento Agroecológico (ZAE) da Cana, que transformou parte do território do Estado — Pantanal e Bacia do Alto Paraguai — em zona de exclusão de cultura, o Estado é um dos que mais tem registrado investimentos no setor sucroalcooleiro. De acordo com o governo estadual, no final de 2009 o MS contava com 14 usinas implantadas e 28 em implantação, além de 48 pedidos de instalação de novas unidades. A expansão dos canaviais está se dando no Cone Sul do Estado. É nessa região que se concentra a maioria das 42 Terras Indígenas (TIs) já reconhecidas, por se tratar da região de ocupação tradicional dos Guarani-Kaiowá, o mais numeroso grupo indígena do Estado e do país. É também ali que a Fundação Nacional do Índio (Funai) retomou, em 2008, os estudos para demarcação de áreas em 26 municípios. Um dos problemas que já estão ocorrendo no MS, envolvendo usinas de açúcar e álcool, é o plantio de cana em áreas que incidem sobre territórios indígenas já reconhecidos como tal pelo governo, mas em processo de homologação. Atualmente, ao menos quatro usinas estão se abastecendo de cana proveniente de territórios reconhecidos ou reivindicados e em processo de estudo antropológico pela Funai. (O GOSTO AMARGO..., 2010, p. 8).
O GOSTO AMARGO da cana no Mato Grosso do
Sul. Caros Amigos Especial – Indígena. São Paulo: Casa Amarela, ano XIV, n. 51, out. 2010.
A partir da análise do texto e dos conhecimentos sobre o sistema agrícola utilizado na cultura da cana-de-açúcar, no Brasil, é correto afirmar:
01. A expansão dos canaviais no Cone Sul do Estado determinou a desapropriação de grande parcela do território indígena pelo Governo Federal, com vistas a uma reforma agrária, que irá resolver definitivamente os conflitos fundiários nessa região.
02. A valorização das terras no Mato Grosso do Sul está relacionada à ocupação desordenada do espaço agrário, onde as comunidades indígenas detêm a posse de quase a totalidade desse espaço.
03. O cultivo da cana-de-açúcar, embora incipiente na Região Centro-Oeste, tem contribuído para uma melhoria considerável do IDH da população.
04. A expansão do cultivo da cana-de-açúcar em terras indígenas é decorrente da escassez de terras férteis na Região Centro-Oeste.
05. O cultivo da cana-de-açúcar adota o sistema monocultor, que não favorece a preservação dos solos.
Gab: 05
Questão 63)
Sobre a organização do espaço brasileiro, durante a fase da cafeicultura, é correto afirmar:
a) As rodovias desempenharam um papel fundamental no processo de produção do espaço geográfico.
b) A ocupação das vertentes das serras do Mar e da Mantiqueira teve um efeito desastroso sobre o solo e a Mata Atlântica.
c) A mão de obra europeia constituiu a base da produção cafeeira, durante o processo de ocupação de terras do Vale do Paraíba.
d) A produção do espaço geográfico foi conduzida pelo desenvolvimento do capitalismo monopolista e sua mais nova DIT.
e) A quebra da Bolsa de New York, em 1929, alterou significativamente o padrão de utilização da terra, até então vigente no país.
Gab: B
Questão 64)
Tendo-se em vista os conhecimentos sobre o espaço agrário brasileiro, é correto afirmar:
a) A modernização agrícola inclui uma grande massa camponesa no mercado de trabalho rural, expandido pelo aumento das áreas cultivadas.
b) Os conflitos pela posse de terra refletem a existência de uma brutal concentração da propriedade rural.
c) As mudanças na estrutura fundiária, com a redistribuição dos latifúndios por dimensão, alteraram as relações de trabalho no campo, aumentando os empregos permanentes.
d) O agronegócio tem promovido a fixação do homem no campo, o aumento do número de proprietários rurais e a redução do êxodo rural e da transumância.
e) A introdução da mecanização na agricultura intensiva de jardinagem vem impulsionando a fixação dos assentamentos de reforma agrária em todo território nacional.
Gab: B
Questão 65)
Os debates sobre os principais problemas fundiários no Brasil são cada vez mais comuns em nosso cotidiano. Com base na organização do espaço agrário brasileiro, a alternativa que retrata a nossa realidade é:
a) qualquer discussão sobre a questão da terra no Brasil passa necessariamente, pela óbvia constatação de que há, historicamente, uma desigualdade bastante expressiva na distribuição fundiária do território nacional;
b) o debate a respeito de projetos políticos, sociais e econômicos no Brasil, geralmente reservados aos intelectuais, priorizou a questão agrária no país e a distribuição das terras entre os trabalhadores rurais;
c) a necessidade de uma reforma agrária no Brasil fez nascer inúmeros defensores com o movimento dos trabalhadores rurais sem terra e a união democrática ruralista;
d) a constituição de um mercado interno no Brasil na década de 1950, marcado por atividades econômicas urbano-industriais, incorreu necessariamente numa mudança de status das classes sociais rurais, todas inseridas na perspectiva do agronegócio;
e) a questão agrária sofreu mudanças com a constituição de 1988, estabelecendo um predomínio de pequenas propriedades.
Gab: A
Questão 66)
Sobre a agricultura brasileira atual são feitas as seguintes afirmativas:
I. a modernização de nossa agricultura foi possível graças aos investimentos privados, na medida em que nos últimos vinte anos não tem havido qualquer tipo de incentivo estatal;
II. com a utilização da técnica de irrigação, o Nordeste tem obtido nos últimos anos excelentes resultados na exportação de frutas;
III. é para o mercado interno que se dirige a maior parte da produção de soja, utilizada especialmente na produção de óleo comestível.
Assinale:
a) se apenas a afirmativa I for correta;
b) se apenas a afirmativa II for correta;
c) se apenas a afirmativa III for correta;
d) se as afirmativas I e II forem corretas;
e) se as afirmativas II e III forem corretas.
Gab: B
Questão 67)
Leia duas descrições de agentes sociais muito presentes no campo brasileiro.
I. Pessoas que se apropriam ilegalmente de extensas porções de terra, obtendo frequentemente títulos de propriedade falsificados.
II. Pessoas que cultivam pequenos lotes de terra, em geral há muitos anos, sem possuir título de propriedade.
As descrições I e II correspondem, respectivamente, a
a) grileiros e posseiros.
b) jagunços e grileiros.
c) peões e parceiros.
d) empreiteiros e boias-frias.
e) agregados e empresários.
Gab: A
Questão 68)
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Sobre a produção de madeira oriunda de florestas plantadas, no Brasil, para fabricação de papel e celulose, considere o gráfico e as afirmações seguintes:
I. Os estados de São Paulo e Paraná respondem, juntos, por cerca de 50% da produção nacional, em função de sua proximidade com as indústrias processadoras, com o maior mercado consumidor do país e com os principais eixos de exportação.
II. O cultivo de espécies voltadas a essa produção tem avançado sobre territórios dos estados da Bahia e do Espírito Santo, sendo responsável pela subtração de parcela da Mata Atlântica nesses estados.
III. Nos estados da região Sul, que figuram entre os oito maiores produtores do país, essa produção está restrita a pequenas propriedades, associada a produtos voltados à subsistência, tais como laticínios, charque e hortaliças.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
Gab: B
Questão 69)
Escreva F ou V para as proposições que tratam da soja nos cerrados brasileiros, conforme sejam Falsas ou Verdadeiras.
( ) A atual mobilidade geográfica no território brasileiro é fortemente influenciada pelos novos fronts agrícolas, que caracterizam regiões altamente modernizadas e especializadas, produtoras principalmente de commodities de soja.
( ) A ocupação de novas áreas nos cerrados do Centro-Oeste, Rondônia, sul da Maranhão e Piauí e oeste da Bahia, além de mobilizar tanto um aparato tecnológico para a produção da soja na área, tem provocado uma profunda transformação na organização do território, sobretudo em termos de transportes e comunicações.
( ) A localização das novas regiões distantes dos portos e das áreas de maior densidade de transportes no país tem mobilizado o poder público e grandes empresas para a modernização e implantações de grandes sistemas de engenharia voltados ao escoamento da produção.
( ) Os interesses particulares de produtores de commodities vêm sendo atendidos através de políticas de investimentos em corredores de transportes. Esses eixos modais, na verdade, não integram as regiões brasileiras entre si, mas as regiões produtoras de commodities aos mercados internacionais, beneficiando, em primeiro lugar, as grandes empresas do setor.
A alternativa que apresenta a sequência correta é:
a) V V V V
b) F F F V
c) V F V F
d) F V F V
e) V V V F
Gab: A
Questão 70)
Pesquisas recentes têm constatado transformações muito importantes que vêm ocorrendo nas áreas rurais do mundo e do Brasil. Alguns velhos mitos estão sendo derrubados, outros parecem estar surgindo. Pode-se perceber, no entanto, que está cada vez mais difícil delimitar o que é rural e o que é urbano.
OLIC, Nelson B. Disponível em: <www.clubemundo.com.br/revistapangea.>. Acesso em: 24 ago. 2010.
Sobre este assunto, é CORRETO afirmar:
a) o rural pode ser caracterizado como sinônimo de atraso e de pobreza, enquanto o urbano representa a modernidade, o progresso e os avanços tecnológicos.
b) o espaço rural de países como o Brasil ainda é marcado pelo predomínio de atividades agrícolas, justificando assim o alto percentual da população no campo, em detrimento da cidade.
c) o espaço urbano se identifica como o locus das atividades industriais, de comércio e serviços, enquanto o rural é a área destinada apenas às atividades agropastoris; do ponto de vista espacial, rural e urbano se opõem.
d) os grandes complexos agroindustriais implantados em Goiás nas últimas décadas refletem a interligação da agricultura ao restante da economia, não podendo ser separada dos setores que lhe fornecem insumos e/ou compram seus produtos.
Gab: D
Questão 71)
Sobre as atividades econômicas do campo brasileiro, é correto afirmar que:
I. a bovinocultura (criação de bois e vacas) é a atividade de maior importância na pecuária brasileira. A pecuária de bovinos é realizada basicamente de forma extensiva;
II. em diversas regiões do Brasil ainda se desenvolve a agricultura tradicional, ou seja, sem o emprego de máquinas e com uso de técnicas rudimentares, como a colheita e a semeadura feitas de maneira manual ou com a tração animal;
III. a atividade econômica que desenvolve o cultivo de plantas, comestíveis ou não, denomina-se agricultura;
IV. a agricultura destina-se à comercialização das matérias primas e dos alimentos produzidos (agricultura comercial); e também ao sustento do produtor, ou seja, dos próprios agricultores (agricultura de subsistência);
V. nas últimas décadas nota-se a expansão da agricultura moderna no Brasil, com o aumento do número de propriedades que utilizam máquinas e implementos agrícolas, adubos, fertilizantes e sementes selecionadas, sobretudo as grandes fazendas.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas IV e V são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.
Gab: E
Questão 72)
Entidades que lutam pela reforma agrária no Brasil, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ONG ligada à Igreja Católica, apontam a concentração de terras como principal entrave para sua realização. Pois, enquanto 56,7% das terras agricultáveis estão nas mãos de 2,8% dos produtores, 62,2% dos minifúndios ocupam 7,9% das terras.
A esse respeito todas as alternativas estão corretas, À EXCEÇÃO DE UMA, assinale-a:
a) As entidades que lutam pela reforma agrária querem arrancar dos candidatos à presidência, agora, em 2010, o compromisso de limitar o tamanho das propriedades rurais no Brasil a um máximo de 3.500 hectares de terra.
b) As entidades tentam inverter o sistema de produção agropecuária, priorizando o poderoso agronegócio, que tem o maior peso na balança comercial entre os produtos brasileiros, contra a agricultura familiar e o abastecimento interno.
c) Dois modelos desenvolvidos em países capitalista, são exemplos de reivindicação para desconcentração de terras: a reforma agrária de 1862 nos Estados Unidos que limitou as propriedades em 160 acres (64,7 hectares no Brasil) e o Japão pósguerra que distribuiu áreas com tamanho máximo de 2,4 hectares.
d) Caso se limite o tamanho das propriedades, pelas estimativas das entidades, cerca de 5 milhões de famílias de trabalhadores rurais sem terra poderiam ser assentados imediatamente, saltando para 200 milhões o estoque de terras, sem que o governo precisasse desembolsar capital para indenização.
e) A tese, das entidades, de limitar o tamanho das propriedades dificilmente prosperaria num Congresso Nacional onde há predomínio da bancada ruralista, em temas voltados para questão agrária, através da Confederação Nacional da Agricultura presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM, do estado de Tocantins).
Gab: B
Questão 73)
PRÁTICAS AGRÍCOLAS MODERNAS
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THÉRY, H. e MELLO, N. Atlas do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2008, p. 112.
A economia rural brasileira avança gradativamente na direção de práticas agrícolas modernas, envolvendo a utilização de adubos, a conservação dos solos e a assistência técnica, o que implica uma certa renovação do campo, no qual persistem contradições inerentes à sociedade nacional.
A leitura comparada dos mapas acima permite concluir que essa renovação ainda é marcada por uma clara associação entre
a) amenização das tensões agrárias e redução do número de assentamentos rurais no país.
b) concentração de grandes propriedades e declínio de culturas agrícolas especializadas.
c) capitalização das empresas rurais e decréscimo de práticas agrícolas sustentáveis.
d) colonização oficial de áreas de fronteira e expansão de pequenos produtores exportadores.
e) apropriação monopolista da terra e difusão desigual da modernização agrícola.
Gab: E
Questão 74)
O processo de concentração fundiária caminha junto à industrialização da agropecuária com predomínio de capitais. Logo:
I. O discurso de modernidade das elites tem contribuído para que a terra esteja concentrada nas mãos da grande maioria dos agricultores brasileiros.
II. Os pequenos agricultores não conseguem competir e são forçados a abandonar suas lavouras de subsistência e vender suas terras.
III. A intensa mecanização leva à redução do trabalho humano e à mudança nas relações de trabalho, com a especialização de funções e o aumento do trabalho assalariado e de diaristas.
IV. As modificações na estrutura fundiária provocam desemprego no campo, intenso êxodo rural, além de aumentar o contingente de trabalhadores sem direito à terra e sua exclusão social.
Estão corretas
a) Apenas as proposições I e IV
b) Apenas as proposições I II e III
c) Apenas as proposições II, III e IV
d) Apenas as proposições II e III
e) Todas as proposições
Gab: C
Questão 75)
A despeito dos avanços tecnológicos nos processos de produção e da importância do setor agropecuário em algumas regiões do Brasil, muitos procedimentos ainda são adotados e acarretam prejuízos ambientais, como por exemplo:
00. muitas das áreas de plantio estão às margens dos rios, em locais que deveriam ser protegidos, favorecendo a contaminação das águas superficiais e subterrâneas.
01. a poluição do ar, pelas queimadas nas zonas canavieiras e também por compostos sulfurosos, como no caso das indústrias de celulose, provoca danos à saúde da população.
02. a falta de uso mais intensivo de agrotóxicos, sobretudo nas áreas de encostas, proporciona o desenvolvimento de pragas que, em pouco tempo, destroem muitas áreas plantadas, sobretudo cafezais.
03. a diminuição das áreas de vegetação nativa, substituídas por monoculturas, implica em perda de biodiversidade.
04. as técnicas incorretas de exploração do solo propiciam a aceleração da erosão, o assoreamento dos cursos d’água e a perda de áreas agriculturáveis.
Gab: VVFVV
Questão 76)
As situações 1 e 2 exemplificam modelos de exploração do espaço rural no Vale do Açu, no Estado do Rio Grande do Norte: agricultura familiar e do agronegócio.
Situação 1
Um proprietário de terras no Vale do Açu, junto com sua família, produz milho, feijão, arroz e hortaliças e cria um rebanho de bovinos e caprinos.
Situação 2
No Vale do Açu, em uma outra propriedade rural, uma empresa produz banana utilizando mão de obra assalariada.
Dentre as características da agricultura familiar e do agronegócio, destacam-se, respectivamente,
a) o desenvolvimento de atividades policultoras e o baixo uso de insumos industrializados.
b) o emprego de tecnologia avançada e a diversificação dos sistemas agrícolas.
c) a prática da agropecuária com base genética limitada e a dependência de mercados internacionais.
d) a integração entre agricultura e pecuária e a exploração sob a forma de monocultura.
Gab: D
Questão 77)
Indiferentes às advertências contra a rotina dos métodos agrícolas, os fazendeiros de Vassouras continuaram a derrubar e queimar a mata virgem. Havia municípios do Vale do Paraíba que tinham esgotado completamente toda a sua mata virgem para dar lugar aos cafezais. Em 1887, os fazendeiros da região se queixaram que chovia menos e com muito mais irregularidade do que antes.
(Adaptado de Stanley J. Stein, Vassouras: um município brasileiro do café,
1850-1900
. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990, p. 255-258).
Podemos afirmar que o esgotamento da cultura cafeeira no Vale do Paraíba, mencionado no enunciado acima, deveu-se
a) ao desmatamento e ao cultivo em áreas de média e alta declividade, o que reduziu a infiltração de água no solo e diminuiu a disponibilidade de água no local, afetando o regime de chuvas; isso levou a uma queda na produtividade, com o endividamento dos fazendeiros da região, superada economicamente por regiões de cultivo cafeeiro mais recente, como o oeste paulista.
b) à falta de qualificação da mão de obra escrava, que empregava técnicas agrícolas atrasadas, como as queimadas, para dar lugar aos cafezais, provocando o aumento de emissão de CO2 e intensificando o efeito estufa, o que reduziu as chuvas nessa área, tornando-a inadequada à cultura cafeeira e abrindo espaço à expansão da cultura canavieira, mais adaptada ao clima seco.
c) ao emprego de técnicas agrícolas atrasadas, como as queimadas, e ao cultivo nas planícies do rio Paraíba do Sul, fatores que reduziam a infiltração de água no solo, diminuindo a disponibilidade de água no local e afetando o regime de chuvas, o que levou a uma queda na produtividade da região.
d) ao desmatamento e ao uso de queimadas, para dar lugar aos cafezais, o que provocou o aumento de emissão de CO2, intensificando o efeito estufa; isso causou a redução das chuvas nessa área, tornando-a inadequada à cultura cafeeira, e levando ao endividamento dos fazendeiros da região, que acabariam se deslocando para regiões de cultivo mais recente, como o oeste paulista.
Gab: A
TEXTO: 1 - Comuns às questões: 78, 80
A soja é a principal cultura agrícola do Brasil em volume e em geração de renda e ocupa hoje uma área de mais de 21 milhões de hectares. Em 2008, foram produzidas 57,2 milhões de toneladas do grão, com valor bruto de R$ 51,5 bilhões.
(Focus: Visão do Brasil – Desafios e oportunidades para a produção de soja
sustentável no Brasil. www.visaobrasil.org, 04/2010.)
Questão 78)
Assinale a alternativa correta:
a) A região Sul do Brasil pode ser considerada a principal produtora de soja do país, tendo se beneficiado da melhoria da infraestrutura regional.
b) Os custos da soja produzida no Centro-Oeste são mais elevados para os produtores do que na região Sul, pois os centros consumidores e os portos estão a grandes distâncias.
c) Dada a dimensão da área onde a soja é cultivada no Centro-Oeste, ela é considerada uma cultura que tem impacto positivo na criação intensiva de empregos agrícolas.
d) Observa-se uma tendência de crescimento de produção da soja no Brasil em médias e pequenas propriedades da região Sul, onde os produtores tendem a ganhar competitividade com o avanço tecnológico.
Gab: B
Questão 79)
Com o rápido esgotamento dos solos do vale do Paraíba, a cafeicultura avança progressivamente em direção a São Paulo, onde se expande rapidamente a partir de Jundiaí (região de Campinas) até o Planalto Ocidental (Ribeirão Preto, Bauru, Marília, etc). A partir da segunda metade do século XIX, São Paulo torna-se por mais de um século principal centro produtor do país.”
(Texto extraído do livro: Geografia do Brasil. Autor- Marcos de Amorim Coelho. Editora Moderna, S/D)
Com relação a esse tema abordado no texto, apontam-se vários fatores que são considerados responsáveis pela expansão cafeeira em São Paulo. Identifique-os.
00. O emprego de mão-de-obra assalariada de imigrante.
01. O relevo suavemente ondulado e planaltos de altitudes médias.
02. A existência de um clima regional do tipo frio, favorável a esse cultivo muito exigente.
03. Os financiamentos externos e um expressivo sistema de comercialização.
04. A implantação de uma razoável rede ferroviária ligando o interior à capital e à cidade de Santos.
Gab: VVFVV
Questão 80)
Com relação à cultura da soja no Brasil, é correto afirmar que
a) o grão chegou ao país com a entrada dos primeiros imigrantes italianos no início do século XX, sendo relegado a um segundo plano por causa da cultura do café.
b) a expansão e a consolidação da soja no Brasil somente se deu na década de 1990, quando fatores climáticos afetaram a produção de ração animal, forçando o uso de farelo de soja como substituto.
c) entre os fatores que contribuíram para que a soja ganhasse relevância econômica na agricultura do país estão os incentivos fiscais e a facilidade na mecanização da cultura, que a torna mais produtiva.
d) a cultura de soja inicialmente se estabeleceu e se destacou na região Centro-Oeste, e, em seguida, na região Sul.
Gab: C
Questão 81)
A partir da década de 1970, agricultores brasileiros se mudaram para o Paraguai, atraídos pela oferta de trabalho e terra barata, ficando conhecidos pelo apelido de “brasiguaios”. O governo do Paraguai calcula que existam hoje cerca de 400 mil brasiguaios vivendo naquele país, o que inclui os filhos de brasileiros nascidos lá. Em determinadas regiões do Paraguai, a presença dos brasiguaios é geradora de conflitos, o que levou o Itamaraty a afirmar recentemente que talvez seja essa a situação mais difícil vivida por brasileiros no exterior (Disponível em: <http://globoruraltv.globo.com/GRural>. Acesso em: 7 jul 2010.
Uma das razões desses conflitos é
a) a disputa pela posse da terra para fins de exploração agrícola.
b) a competição por garimpos visando à extração de ouro.
c) a apropriação de terras onde prevalece o extrativismo da borracha.
d) a exploração de minas de diamantes destinados a exportação.
Gab: A
Questão 82)
No Censo Agropecuário de 2006 foram identificados 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar. Eles representavam 84,4% do total, mas ocupavam apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Já os estabelecimentos não-familiares representavam 15,6% do total e ocupavam 75,7% da sua área. Dos 80,25 milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram destinados a pastagens, 28% a florestas e 22% a lavouras. Ainda assim, a agricultura familiar mostrou seu peso na cesta básica do brasileiro, pois era responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo e, na pecuária, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves e 30% dos bovinos.
(Fonte: IBGE, Censo Agropecuário – Agricultura familiar 2006, divulgado em 30 de setembro de 2009.)
Com base nas informações apresentadas acima, considere as seguintes afirmativas:
1. O índice dos produtos consumidos na cesta básica do brasileiro está de acordo com o índice de distribuição de terras no Brasil.
2. A segurança alimentar no Brasil depende em maior medida da produção agropecuária realizada nos estabelecimentos não-familiares (com 75,7% da área).
3. O elevado índice de áreas com florestas (28%) nos estabelecimentos de agricultura familiar se constitui num empecilho para o aumento da produtividade.
4. A produção da agricultura familiar está relacionada com o abastecimento do mercado interno.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.
b) Somente a afirmativa 4 é verdadeira.
c) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
Gab: B
Questão 83)
Há várias práticas de agricultura que visam à construção de modelos que associem o desenvolvimento social rural à conservação ambiental, embora possam ocasionar dificuldades na conciliação dos interesses econômicos. Nesse contexto, a silvicultura é caracterizada
a) pelo manejo de árvores onde são desmatadas pequenas áreas de floresta e aproveitada matéria orgânica do solo.
b) pelo uso da terra em que são cultivadas árvores em consórcio com culturas agrícolas, concomitantemente à criação de animais.
c) pelo cultivo de espécies arbóreas exóticas ao ecossistema local, alterando os ciclos hidrológicos e a biodiversidade.
d) pela recuperação de áreas agrícolas degradadas, transformando-as em matas biologicamente diversificadas e produtivas.
e) pela cultura de produtos orgânicos em pequena escala, sem adição de fertilizantes, pesticidas e impactos ambientais.
Gab: C
Questão 84)
O cultivo da cana-de-açúcar no Brasil pode ser dividido em três fases, correspondentes aos períodos 1975-1987, 1988-2000 e 2000-2008. São características da terceira fase:
a) redução de áreas de pastagens e de plantio de soja e aumento da territorialidade do complexo agroindustrial sucroalcooleiro.
b) criação do Programa Brasileiro do Álcool e pressão das crises mundiais do petróleo no modelo energético.
c) desregulamentação do setor sucroalcooleiro e estagnação produtiva.
d) concentração do plantio de cana-de-açúcar nas áreas tradicionais e oscilação na produção de etanol.
e) produção de etanol visando à seguridade energética nacional ante um cenário instável e aumento da produção de açúcar.
Gab: A
Questão 85)
A expansão e o desenvolvimento do agronegócio canavieiro no Brasil vêm provocando desterritorialização de algumas unidades e, em especial, de capital de um estado para outro, ou de uma região do país para outra, gerando um processo de reterritorialização nos locais a que se destinam as unidades fabris e o capital. Sobre esse assunto, analise as afirmativas e conclua.
00. Este novo movimento do capital no âmbito do setor canavieiro vem expressando uma nova territorialidade, ou seja, um novo ordenamento territorial das agroindústrias e dos espaços plantados com cana-de-açúcar.
01. A crise dos anos 1990 levou inúmeras agroindústrias do Nordeste oriental à falência, e as que permaneceram não foram suficientes para absorver toda a força de trabalho existente.
02. O reordenamento territorial desse agronegócio acarretou mudanças na dinâmica do trabalho, na medida em que reduziu a oferta de empregos e aumentou o desemprego nos locais de onde migraram o capital e as unidades fabris.
03. O movimento dos trabalhadores para o corte da cana-de-açúcar no país ocorre tanto para as regiões tradicionalmente produtoras como para as áreas em processo de expansão, inclusive acompanhando o movimento recente do próprio capital agroindustrial canavieiro.
04. O crescente processo de territorialização e desterritorialização do capital agroindustrial canavieiro provocou mudanças na Geografia do campo no país e na Geografia do trabalho.
Gab: VVVVV
Questão 86)
Rotação de culturas é uma técnica agrícola de conservação que visa diminuir a exaustão do solo. Isto é feito trocando as culturas a cada novo plantio de forma que as necessidades de adubação sejam diferentes a cada ciclo. Consiste em alternar espécies vegetais, numa mesma área agrícola. A rotação de culturas é vantajosa por que
a) viabiliza a possibilidade de produção de vários produtos na mesma safra.
b) diminui a longo e médio prazo os gastos com recuperação de solo.
c) garante, ao agricultor, maior lucratividade em curtíssimo prazo.
d) aumenta a lucratividade do produtor por conta da qualidade do produto.
Gab: B
Questão 87)
A figura abaixo, a despeito de apresentar a delimitação territorial atual do Brasil, representa a formação espacial colonial-escravista brasileira na passagem do século XVIII para o século XIX, momento fundamental para a compreensão da formação territorial do Brasil. A figura delimita as diversas atividades econômico-demográficas, do que resulta um dado arranjo espacial.
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a) Relacione as áreas de pecuária, no final do século XVIII, aos biomas existentes no Brasil.
b) A expansão da atividade pecuária pelo território esteve vinculada também ao tropeirismo. Descreva o papel da atividade pecuária e do tropeirismo na constituição do território brasileiro.
Gab:
a) Das áreas apresentadas no mapa, as mais significativas sob o ponto de vista econômico foram as do sertão nordestino e da Região Sul. No sertão, a predominância da caatinga e o regime de chuvas irregular eram responsáveis pela má qualidade das pastagens, ocasionando uma pecuária de reduzido valor econômico. Já no Sul, a existência de boas pastagens naturais permitiu uma atividade criatória que, embora também extensiva, apresentava rebanhos de melhor qualidade e de maior valor econômico.
b) No Nordeste, o contínuo avanço dos rebanhos para o interior, em busca de novas pastagens, permitiu a colonização de um extenso território, tendo a pecuária contribuído para a ocupação do sertão nordestino e de vastas regiões do Brasil central. No Sul, a existência de rebanhos e pastagens foi importante fator de atração de migrantes e imigrantes, permitindo a incorporação ao Brasil de territórios inicialmente ocupados por espanhóis. Por sua vez, o tropeirismo, ligando as áreas criatórias sulinas à área mineradora, contribuiu para a colonização do vasto espaço que separa as duas regiões.
Questão 88)
Distribuição espacial do rebanho de bovinos, com destaque para os dez principais municípios – Brasil – 2004
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www.ibge.gov.br
Observando o mapa, considere I, II, III e IV abaixo.
I. Os municípios São Félix do Xingu e Marabá tiveram o crescimento da pecuária bovina favorecida pela expansão rodoviária que se intensificou no país a partir da década de 1950.
II. Entre Cáceres e Corumbá, a pecuária bovina tem, como principais fatores favoráveis, a existência de pastagens naturais sobre planaltos aplainados e o clima subtropical.
III. A distribuição das áreas de criação está associada ao chamado “arco do desmatamento”, que envolve o leste e o sul do Pará, o norte do Mato Grosso, o Sul do Amazonas e boa parte de Rondônia.
IV. A expansão das áreas de criação explica o desmatamento que já se apresenta mais intenso na Amazônia Ocidental, sobretudo, no Alto Rio Negro.
Estão corretas, apenas,
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I e IV.
e) III e IV.
Gab: B
Questão 89)
Corredor Central Norte-Sul
“Esse corredor central corresponde à grande área produtiva da agropecuária brasileira. Estende-se do leste do Pará e centro-sudoeste do Maranhão e Piauí até o Rio Grande do Sul, ocupando terras de diversos Estados: Tocantins, extremo-oeste da Bahia, Goiás, oeste de Minas Gerais, centro-sul de Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul, grande parte de São Paulo, do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.”
Fonte: ROSS, J. L. S. Ecogeografia do Brasil: subsídios para planejamento ambiental.
São Paulo: Oficina de Textos, 2009, p. 130.
Considerando o texto e seus conhecimentos sobre a agropecuária brasileira, é INCORRETO afirmar:
a) A inserção do espaço amazônico nesse corredor está diretamente associada ao movimento de expansão dos agricultores e empresários do sul e sudeste do Brasil.
b) A soja, juntamente com a pecuária bovina, o milho, o trigo, o algodão, o café, a cana-de-açúcar e pastagens constituem as âncoras desse corredor.
c) A modernização agrícola transformou rapidamente as paisagens de cerrados, matas e campos através da mecanização, impedindo qualquer outra forma de atividade de base familiar.
d) O cultivo de soja expandiu-se do Rio Grande do Sul para os outros estados da região Sul e da região Sudeste, muitas vezes substituindo o cultivo do café, em decadência por causa das geadas.
  • Gab: C







































































































































































































































































































































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