quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A ATIVIDADE CAFEEIRA - VALE DO PARAÍBA


O cultivo do café já era conhecido no Brasil desde 1727, quando as primeiras sementes dessa  planta nativa da África brotaram em nossa terra.
No “fundo dos quintais” ou nas pequenas lavouras, apareciam os pés de café, destinados ao consumo doméstico. De pequena lavoura o café toma os rumos da agricultura comercial, tornando-se o principal produto de exportação em 1840.
As plantações de café cresceram na província do rio de Janeiro, ocupando o litoral sul (Manrati, Angra dos Reis, Parti) e o litoral norte (Marica, Itanoraí, Magé). Entretanto, seria na Região do Vale do Rio Paraíba do Sul que desabrocharia a produção cafeeira.
Os solos férteis da mata atlântica, a temperatura amena  e as chuvas regulares durante o ano fizeram do vale do Paraíba uma região de condições naturais favoráveis ao desenvolvimento do café.
Associado às condições naturais aparecia um elemento fundamental para a produção cafeeira: a crise da mineração deixava um enorme contingente de escravos disponíveis para o trabalho.
Desde o seu início, a lavoura cafeeira teve a disposição tudo o que precisava para expandir-se terras e mão-de-obra.
Conduzi para o litoral, os caminhos precários e o transporte realizado pelos tropeiros eram obstáculos para o escoamento da crescente produção cafeeira. O caminho mais rápido e o transporte mais eficiente foram encontrados com a instalação das estradas de ferro. Vagões carregados de sacos de café chegavam ao porto do Rio de Janeiro, principal elo de ligação entre a região cafeeira e a exportação para a Europa e para os Estados Unidos.
Entre 1830 e 1870, o vale do Paraíba foi a principal região produtora de café e o centro da economia brasileira. Com o auge do café no vale do Paraíba, o Rio de Janeiro tornou-se o principal porto do país.
A lavoura cafeeira seguiu sua expansão, destruindo a floresta tropical em busca de solos férteis, ocupando as terras de pequenos lavradores e das tribos indígenas. O café invadiu o Sul de Minas e parte do Espírito Santo. Conquistando novas áreas e deixando os solos cansados para trás, o café seguiu sua marcha atingindo o Oeste paulista. Para acompanhar a expansão da lavoura cafeeira, chegaram ao Brasil, entre 1840 e 1850, 371.625 escravos Africanos.
Mas se havia disponibilidade de terras, a mão-de-obra começou a se reduzir com a proibição do tráfico negreiro. Para superar a falta de braços nos cafezais, recorreu-se ao mercado interno de escravos. O Nordeste açucareiro tornou-se a nova fonte de mão-de-obra escrava.

A ATIVIDADE DO ALGODÃO NO SERTÃO


O desenvolvimento da indústria têxtil na Inglaterra e a guerra civil entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos estimularão o desenvolvimento da produção de algodão em outras regiões do mundo, como o Peru, o Egito, a Índia e o Nordeste brasileiro.
Este fato fez com que o prestígio e o poder, que o Nordeste estava na Zona da mata canavieira, se deslocasse para o sertão pecuário-algodoeiro.
Os grandes latifundiários pecuaristas aliaram-se a empresas  estrangeiras, como a Sandra e a Clayton., de quem obtiam dinheiro, passaram a estimula atos pequenos produtores familiares de suas terras a se dedicar ao cultivo do algodão de fibra longa, que se desenvolvia muito bem em áreas de pouca chuva.
Os fazendeiros eram, ao mesmo tempo, os comerciantes que compravam a produção algodoeira nas pequenas vilas e cidades. A maior parte do algodão era exportada porque a pobreza da produção não constituía um mercado para a implantação da indústria têxtil.
Como a produção de algodão não exigia grande investimento, à diferença da produção de carne, muitas famílias se dedicaram a esta atividade. No entanto, por não possuir de ter, eram obrigadas a se submeter aos grandes proprietários como meeiros, parceiros, etc. Assim, os que se beneficiaram, de fato, com o surto algodoeiro foram os grandes proprietários e, as empresas estrangeiras que controlavam a comercialização no mercado externo. Mais uma vez notamos a aliança dos interesses dos grandes proprietários de terras nordestinas com os grandes capitais estrangeiros.
Um grande comerciante do recife., Delmiro Gouveia, percebendo o crescimento da indústria têxtil e vendo que o Nordeste apresentava condições favoráveis, tentou desenvolver um grande projeto no rio São Francisco. Adquiriu máquinas modernas na Europa, comprou terras, estabeleceu vilas operárias com assistência médica para os trabalhadores e implantou um ambicioso projeto industrial em pleno sertão nordestino do rio São Francisco. Mas Delmiro Gouveia não controlava o mercado internacional, e a Inglaterra via nesse projeto uma quebra do seu monopólio no funcionamento de linhas ao Brasil. As pressões foram, muitas para que Delmiro Gouveia vendesse sua fábrica aos ingleses. A resistência acabou com seu assassinato na segunda década de nosso século. Sua família, depois, teve de vender a fábrica a uma empresa inglesa, que quebrou as máquinas e as jogou no rio São Francisco, sem que os demais setores da elite brasileira manifestassem o menor repúdio a esse fato. Mesmo os grandes fazendeiros pecuaristas, que controlavam a comercialização do algodão, se mantiveram em silêncio, pois tinham fortes relações com a Clayton e a Sanbra.
Estes fazendeiros mostraram-se mais interessados em controlar o DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas  - Para construir barragens. Poços subterrâneos e cacimbas em suas próprias fazendas. Nas épocas em que a seca agravava ainda mais as condições dos sitiantes, parceiros e meeiros, o DNOCS abria  frentes de trabalho, para construir estradas e novas barragens. Muitas vezes,, como o dinheiro demorava a chegar as regiões assoladas, os fazendeiros forneciam  os alimentos ao DNOCS a preços elevados. A criação do DNOCS e a delimitação do chamado Polígono das Secas, mais que uma preocupação com a miséria do nordestino, revelam o poder dos grandes proprietários na política.
Afinal, a situação de penúria no Nordeste já existia há século, mas foi só a partir do final do séc. XIX que se tornou um problema nacional, com a vinculação direta dos grandes fazendeiros do sertão ao capital estrangeiro. Não esqueçamos de que até aquela época a pecuária extensiva era um mero ciclo subsidiário da carne e do ouro.

A MINERAÇÃO E A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL INGLESA


A riqueza das Minas Gerais concentrou-se nas mãos dos grandes proprietários de minas e de poucos  privilégios que conseguiram contratos com a metrópole para exportar os diamantes no Arraial do Tejuco. Entretendo, os que mais se enriqueceram foram os grandes comerciantes.
A coroa portuguesa começou a cobrar pesados de tributos, para manter as cotas do ouro que alimentavam os gasto da nobreza e o pagamento da dívida do com a Inglaterra. Da riqueza  extraída das minas, para parte ia para a metrópole, sendo consumida pela nobreza e no pagamento das importações de produtos manufaturado  ingleses.
Os contrabandos do ouro e dos diamantes  eram  uma das maneiras de longo fugir ao fisco da metrópole.
No final do século XVIII à época de ouro apresento  seus sinais de esgotamento. A exploração metropolitana provocou reações dos grandes proprietários de minas. os conflitos, surgiram e sempre eram  resolvidos com a ação repressiva  e violenta dos funcionários e dos soldados do rei. um desses conflitos chegou às páginas dos nossos livros de história com nome de Inconfidência Mineira.
A decadência da produção aurífera reduziu a capacidade das Minas Gerais importarem os produtos manufaturados. Para suprir suas necessidades de manufaturados, estimulou se o artesanato nas vilas e fazendas.
O governador da capitania real de Minas Gerais não tardou a alertar a metrópole a respeito da "independência que os povos de Minas  se haviam posto do gênero da Europa, estabelecendo a maior parte dos  particulares, nas suas próprias fazendas, fábricas e teares com que se vestiam e a sua família e escravatura, fazendo panos estopas e diferentes drogas de linho e algodão e ainda de lã"
   O Estado português logo reagiu. D. Maria I em 1785, ordenou o fim das manufaturas e dos teares, “excetuando-se tão-somente aqueles teares e manufaturas que tecem fazendas grossas de algodão que serviam para uso e vestuário  dos negros”. Afinal, a colônia nasceu para servir aos interesses da metrópole, não é ?
   O ouro escasseara, as manufaturas foram proibidas. Restava a colônia viver o final de um outro ciclo - o fim “Eldorado”.

A VIDA NO FINAL DA ÉPOCA DO OURO


A descoberta e a exploração do outro e dos diamantes levaram os homens a lugares distantes,  muito além das regiões das Minas Gerais.
No Rio Cuiabá (Mato Grosso) a mineração desenvolveu-se tão rapidamente como se esgotou.
O mesmo aconteceu em Goiás, onde o povoamento estabelecido com a mineração entrou em declínio com o esgotamento dos depósitos auríferos e da mal sucedida exploração de diamantes.
O declínio da mineração fez a população refluir para outros lugares, ativando a pecuária que se estendia ao longo dos rios.
As fazendas de gado bovino, que ocupavam enormes espaços, fazendo do cerrado o seu pasto natural, ganharam desenvolvimento e tornaram-se a marca deste espaço geográfico até os nossos dias.
Nas Minas Gerais a decadência da mineração também se fez sentir. Seu passado como principal centro minerador não esconde as conseqüências da crise do ciclo do ouro.
Para os mineradores pobres, a pequena agricultura de subsistência foi a alternativa de vida. as pequenas roças que apareceram depois do abandono dos arraiais foram mantidas, às vezes combinadas com a criação de porcos.
Para mineradores pobres e esperançosos, o garimpo constituiu a atividade principal desenvolvendo-se na beira dos rios e regatos distantes dos centros urbanos.
As vilas entraram em decadência, vivendo de atividades administrativas e do que sobrara da exploração do ouro. As cidades de Ouro Preto, São João Del Rei, Sabará, entre outras, são lembranças da época do ouro e contam a história do “EIdorado” através de seus casarões, suas ruas e igrejas.
A pecuária, que crescera com o apogeu da mineração enfrentou o final do ciclo do ouro de maneira diferente.
As fazendas do norte de Minas constituíam  um prolongamento da pecuária nordestina, que se estendia pelos grandes vales criados pelo rio São Francisco e pelo rio Jequitinhonha.
A criação do gado compreendia uma vasta área e ocupava os pastos naturais formados pela vegetação do cerrado. Quando, muito, a preparação dos pastos constituía na prática da queimada, de árvores de pequeno porte e arbustos. O gado criado solto, não recebia maiores cuidados, além da vigilância, e estava destinado à produção de carne para o mercado das Minas Gerais.
O declínio da mineração não impediu a continuidade da expansão das fazendas. A fraqueza do mercado consumidor permitiu o crescimento dos rebanhos e a conseqüente apropriação das terras pelos fazendeiros.
Longe dos principais centros consumidores de carne, fazendas “fecharam-se em si mesmas”, produzindo para seu próprio sustento e mantendo suas práticas tradicionais de criação de gado.
As fazendas do Sul, localizadas principalmente na bacia do rio Grande, também se originaram na época do ouro. Expandiram-se territorialmente e ganharam expressão diferente das estabelecidas ao norte de Minas Gerais.
Os rios permanentes e volumosos, como o rio Grande e seus efluentes (rio das Mortes, Sapucaí e Verde), formam uma extensa rede de drenagem que, combinada com as chuvas bem distribuídas ao longo do ano, fazem do sul de Minas Gerais uma região das melhores terras, cobrindo um relevo ondulado. Este conjunto de condições naturais são pastos bastante superiores aos encontrados nos cerrados, permitindo que a criação de gado se estabelecesse sem grandes dificuldades.
Mas não apenas pelo clima, pelos rios e pela vegetação que a pecuária do sul de Minas Gerais se tornou diferente e se destacou das demais.
Os novos padrões de criação de gado nas fazendas da região sul das Gerais vincularam-se fundamentalmente ao processo de trabalho aí realizado.
O gado não era criado solto, como se errado. Em de ficava dentro das cercas da fazenda, o que  diminuía as necessidades de vigilância e permitia o trabalho da preparação dos pastos e os outros serviços. A alimentação do rebanho não  recebia maiores cuidados. A ausência dos depósitos salinos (os "lambedouros") era recompensada pela distribuição regulada de  sal nos curais.
O trabalho nos pastos também ganhava atenção. Embora a prática da queimada seja um traço comum de destruição da vegetação primitiva pela pecuária, aqui a queimada era realizada de três em três meses em partos, alternados, para a proporcionar pastagens novas ao gado.
A organização do trabalho na pecuária realizada na bacia do Rio Grande fez aparecer um gado de qualidade superior, tanto para a Corte com o para a produção leiteira.
O leite tornou-se um produto mais a ser comercializado, além da carne. Como a produção do leite, foi possível fabricar um novo produto, o queijo (o famoso queijo-de-minas). A produção dos laticínios tornou-se um dos aspectos importantes da região, como na Zona da Mata Mineira, no caminho que levava ao Rio de Janeiro.
Anteriormente ligada ao abastecimento dos núcleos mineradores,  os produtos das fazendas do Sul das Gerais não tardaram a alcançar novos mercado como os do Rio de Janeiro e São Paulo.
Conquistando novos mercados e mantendo uma produção para seu próprio consumo, um desfazendo as da região tornaram-se auto-suficientes, o que, nas palavras do geógrafo Pierre Denis, era "qualquer coisa intermediária entre a família de um reino".
As fazendas de gado chegaram a um século XX apagando a lembrança do "Eldorado" e constituindo a herança regional, marcada pela grande propriedade - os latifúndios pecuaristas. A figura adubos "coronéis" todo poderosos, tão bem retratada na série o bem amado, tem nessas fazendas um dos seus  esteios sócio-econômicos.

O Meio Técnico Científico Informacional - Engels&INSA


O MEIO TÉCNICO-CIENTÍFICO-INFORMACIONAL

Segundo o geógrafo Milton Santos, a história da incorporação das técnicas no espaço geográfico passou por três etapas distintas: o meio natural, o meio técnico e o meio técnico-científico-informacional. Até o século XVIII, apesar da existência de determinadas técnicas, a transformação do espaço foi bastante limitada e o meio geográfico permaneceu, em grande medida, natural.
Com o transcorrer da história humana, o espaço geográfico foi sendo transformado e ganhando cada vez mais objetos artificiais - edificações, ruas e estradas, plantações, etc. Mas isso se deu muito lentamente até a eclosão das revoluções industriais. Desde então, o meio geográfico recebeu grande quantidade de infra-estruturas - fábricas, ferrovias, rodovias, linhas telefônicas, máquinas na agricultura,
barragens e usinas hidrelétricas, etc. O meio geográfico tornou-se crescentemente artificial, transformando-se em meio técnico.
No atual período do capitalismo, desenvolve-se um novo meio geográfico, adaptado às exigências da economia globalizada. Incorporam-se crescentemente ao espaço geográfico objetos que apresentam um conteúdo cada vez mais alto de ciência, técnica e informação, como:
·         modernas redes de telecomunicações - antenas parabólicas e de telefonia celular, cabos de fibra óptica, redes de computadores, etc.;
·         grandes infra-estruturas de transportes - aeroportos, sistemas portuários, rodovias, etc.;
·         agropecuária com base na biotecnologia - alimentos geneticamente modificados (transgênicos), animais clonados, etc.;
·         fábricas robotizadas, prédios comerciais e residenciais inteligentes, bolsas de valores eletrõnicas, etc.

Esse novo meio geográfico é chamado de meio técnico-científico-informacional e serve para dar suporte à aceleração do fluxo de capitais, mercadorias, informações e pessoas.
O meio técnico-científico-informacional aparece na cidade e no campo, incorporando a agricultura, a indústria e os serviços. Ele abrange o planeta inteiro e funciona como um sistema*. Muitos estudiosos afirmam que vivemos num sistema-mundo, no qual os fenômenos sociais, econômicos e culturais mais importantes não acontecem isoladamente porque há uma interdependência entre os diversos lugares do planeta.
Sistema: conjunto formado pelas partes ou elementos de um todo organizado, que funciona de forma coordenada.

Isso só é possível porque existe um sistema técnico unificado que serve ao planeta inteiro. Há vários exemplos disso: o funcionamento da Internet, da rede mundial de telecomunicações, dos aeroportos internacionais ou das bolsas de valores. Na realidade, o meio técnico-científico-informacional é a base da globalização. Sem ele, não seria possível a atual aceleração dos fluxos de informações, capitais, mercadorias e pessoas, nem a crescente interdependência dos vários lugares do mundo.
 
Com o desenvolvimento do meio técnico-científico-informacional, o espaço geográfico tornou-se mais denso em objetos artificiais, ou seja, de modernas infra-estruturas que permitem a aceleração dos fluxos da economia informacional. Assim, se ficarmos atentos, podemos observar nas paisagens a crescente instalação desses objetos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Será que o Brasil só Atrapalha no Oriente Médio?


A diplomacia americana encarava com desprezo as tentativas do Brasil de conquistar mais influência no Oriente Médio, segundo telegramas diplomáticos vazados pelo WikiLeaks.
Em despachos enviados a Washington entre abril de 2004 e dezembro de 2009, a embaixada americana caracterizou a política brasileira para a região como "mão pesada", "desajeitada", cheia de "generalidades anódinas" e "sem profundidade".
Os telegramas menosprezam a eficácia das duas cúpulas América do Sul-países árabes já realizadas.
A terceira aconteceria no dia 12 de fevereiro, no Peru, mas deve ser adiada por causa das turbulências no Egito.
"Até agora, as iniciativas do Brasil para o Oriente Médio são, na melhor das hipóteses, desajeitadas, e as declarações do governo brasileiro sobre questões-chave para a região atrapalham as negociações."
Essa análise, de julho de 2008, consta em um despacho do então embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel.
No mesmo telegrama, os americanos listam iniciativas do governo brasileiro para a região consideradas "prejudiciais". Entre elas estão críticas do ex-chanceler Celso Amorim a Israel e aos EUA e declarações sobre o programa nuclear iraniano.
"As políticas prejudiciais e declarações equivocadas do Brasil sobre a região atrapalham a política dos EUA no Oriente Médio", diz o texto.
O documento diz ainda que o Itamaraty "subestimou as sensibilidades feridas por sua diplomacia mão pesada, mas não quer admitir que a cúpula e a visita de Amorim à região podem minar o processo de paz".
Outro despacho descreve uma conversa do atual chanceler Antonio Patriota, então chefe de gabinete de Amorim, com Sobel.
O embaixador americano pediu que o Brasil discutisse com os EUA suas iniciativas para a região. A resposta de Patriota teria sido que o Brasil "não precisa de permissão" dos EUA para conduzir sua política externa.
RABINO
Às vésperas de uma das cúpulas, o embaixador americano se reuniu com o rabino Henry Sobel. O rabino teria dito na ocasião que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era "antissemita".
Em outros telegramas vazados pelo WikiLeaks, diplomatas americanos dizem que "as banalidades cheias de clichês do governo brasileiro mostram que eles [diplomatas brasileiros] não entendem o Oriente Médio. Só engrossam o coro anti-Israel".
Os americanos também relatam ceticismo na diplomacia árabe. Segundo um diplomata egípcio, as cúpulas América do Sul-países árabes e o envolvimento brasileiro no processo de paz "são tentativas transparentes do Brasil de fortalecer sua candidatura ao Conselho de Segurança da ONU".
Folha e outros seis jornais do mundo têm acesso aos telegramas do WikiLeaks antes da sua divulgação no site da organização www.wikileaks.ch.

Atentado Tchetcheno`à Rússia!


O líder do grupo rebelde islâmico Emirado do Cáucaso, o tchetcheno Doku Umarov, reivindicou na noite desta segunda-feira o atentado suicida do mês passado no principal aeroporto de Moscou que deixou 35 mortos, em um vídeo postado no site do porta-voz do grupo.
"Esta operação foi realizada sob minha ordem", afirmou em um vídeo publicado nesta segunda-feira no site kavkazcenter.com, se referindo ao ataque suicida do dia 24 de janeiro no aeroporto de Domodedovo.
Na última semana, o líder autoproclamado do chamado "Emirado do Cáucaso" prometeu em um vídeo tornar 2011 no ano "do sangue e das lágrimas".
ATENTADO
A bomba foi detonada em um atentado suicida nas esteiras de bagagem do terminal de chegadas internacionais às 16h40 locais (11h40 no horário de Brasília), deixando vários corpos no chão e cobrindo o local de fumaça. A lista de vítimas atualizada inclui dois austríacos, dois cidadãos do Tadjiquistão, um britânico, um alemão e um cidadão da Ucrânia e um do Uzbequistão.
Um dia após o ataque, o presidente russo culpou os responsáveis pela segurança do aeroporto Domodedovo e exigiu demissão dos responsáveis pela segurança dos meios de transporte.
Dmitri Medvedev disse que a gerência do Aeroporto Domodedovo deve responder pelo ataque, já que o terrorista suicida conseguiu passar pela segurança. "O que aconteceu mostra que há claras violações na segurança", disse, acrescentando que as medidas foram reforçadas depois de terroristas explodirem dois aviões que decolaram do mesmo aeroporto em 2004, matando 90 pessoas.
O Aeroporto de Domodedovo negou no mesmo dia responsabilidade pela explosão. "O aeroporto sustenta que não deve ser responsabilizado pela explosão, porque, repito, estamos cumprindo plenamente todos os requisitos de segurança do transporte aéreo pelos quais somos responsáveis", disse a porta-voz Yelena Galanova.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

teste

Egito & Internet e Revolução!



 Mubarak diz que teme caos caso deixe o poder no Egito


O presidente egípcio, Hosni Mubarak, disse nesta quinta-feira em entrevista à rede ABC que deseja deixar o poder, mas teme o caos que pode ocorrer caso o faça.
O ditador egípcio afirmou "estar cheio de ser presidente" e que gostaria de deixar o poder agora, mas não pode, por temer que o país afunde no caos", informou a repórter da ABC Christiane Amanpour, depois de 20 minutos de entrevista no Cairo.
"Não me importo com o que as pessoas dizem de mim. Agora eu estou preocupado com o meu país, eu me importo com o Egito", disse Mubarak, enquanto violentos protestos contra ele ocorrem nas ruas. "Estou muito triste com (o que aconteceu) ontem. Não quero ver os egípcios lutando entre si", acrescentou.
Nesta quinta-feira, partidários do presidente Mubarak e ativistas da oposição voltaram a se enfrentar de forma violenta no 10º dia de revolta popular contra o atual regime que comanda o país. Militares egípcios deram tiros para o alto para dispersar os manifestantes em um dos acessos à praça Tahrir. Ao menos 10 pessoas morreram e 50 ficaram feridas.
Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.
A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak.
A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos na capital. Manifestantes pró e contra o governo Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. O número de mortos é incerto, entre seis e dez, e mais de 800 pessoas ficaram feridas. No dia seguinte, o governo disse ter iniciado um diálogo com os partidos. Mas a oposição nega. Na praça Tahrir e arredores, segue a tensão.

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