| Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_%C3%81rabe
País | Data de início | Status | Resultado | Situação |
|---|---|---|---|---|
| 18 de dezembro de 2010 | Governo deposto em 14 de janeiro de 2011 | Derrubada de Zine El Abidine Ben Ali; Ben Ali e sua família fogem para o exílio na Arábia Saudita[35]
| governo deposto | |
| 29 de dezembro de 2010 | Encerrado em Janeiro de 2012 |
| grandes protestos | |
| 14 de janeiro de 2011 | Encerrado |
| protestos e mudanças governamentais | |
| 17 de janeiro de 2011 | Encerrado em maio de 2011 |
| protestos e mudanças governamentais | |
| 25 de janeiro de 2011 | Dois governos derrubados (em fevereiro de 2011 e julho de 2013). Violência contínua. | Derrubada de Hosni Mubarak, que mais tarde é condenado por corrupção e solicitado para ser julgado por ordenar a morte de manifestantes. Protestos sobre a imposição de uma declaração constitucional temporária pelo presidente Mohamed Morsi seguido por um golpe de Estado.
| Dois governos derrubados (governo Mubarak deposto • governo Morsi deposto) | |
| 27 de janeiro de 2011 | Dois governos derrubados (em fevereiro de 2012 e janeiro de 2015). Violência contínua. | Derrubada de Ali Abdullah Saleh; Saleh recebe imunidade judicial. Distúrbios sectários fomentados sob Abd Rabbuh Mansur Hadi, desestabilizam o país e levam a um golpe de Estado.
| Dois governos derrubados (governo Saleh deposto • governo Hadi deposto) | |
| 28 de janeiro de 2011 | Encerrado em março de 2011 | protestos menores | ||
| 28 de janeiro de 2011 | Encerrado | protestos menores | ||
| 30 de janeiro de 2011 | grandes protestos | |||
| 12 de fevereiro de 2011 | Encerrado em janeiro de 2014 |
| guerra civil e mudanças governamentais | |
| 14 de fevereiro de 2011 | em andamento |
| desordem civil e mudanças de governo | |
| 17 de fevereiro de 2011 | Governo deposto em 23 de agosto de 2011. Violência contínua. | Derrubada de Muammar Gaddafi; Gaddafi morto por forças rebeldes
| Crise social e política (governo Gaddafi deposto • guerra civil em curso) | |
| 19 de fevereiro de 2011 | Encerrado em dezembro de 2012 |
| protestos e mudanças governamentais | |
| 20 de fevereiro de 2011 | Encerrado em março-abril de 2012 |
| protestos e mudanças governamentais | |
| 25 de fevereiro de 2011 | Encerrado | protestos menores | ||
| 27 de fevereiro de 2011 | Encerrado em dezembro de 2011 | Protestos se encerram, mas conflito sectário se agrava devido a violência na vizinha Síria. [58]
| protestos e mudanças governamentais (conflito civil em curso) | |
| 11 de março de 2011 | Encerrado |
| protestos menores | |
| 26 de janeiro de 2011 | em curso | País imerso em uma cruel e brutal guerra civil:[60]
| guerra civil em curso | |
| 15 de abril de 2011 | Encerrado em 18 de abril de 2011 | grandes protestos | ||
| 15 de maio de 2011 | Encerrado em 5 de junho de 2011 |
| grandes protestos | |
| Detenções feitas em nome da segurança nacional e alguns ativistas tiveram sua nacionalidade revogada. Alguns ativistas deportados.[61] [62] | protestos menores | |||
| 4 de setembro de 2012 | Encerrado |
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Um Pouco sobre os efeitos da Primavera Árabe
domingo, 9 de agosto de 2015
Um puco da História da Nigéria
Massacre na Nigéria deixa 528 cristãos mortos
Pelo menos 528 agricultores de aldeias cristãs foram assassinados desde sábado em confrontos com pastores muçulmanos no centro da Nigéria, o país mais populoso da África. Em pelo menos três aldeias ao sul de Jos, capital do Estado de Plateau, homens, mulheres e bebês foram cortados a golpes de facão e tiveram seus corpos queimados.
O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, ordenou que a polícia nigeriana ficasse em estado de alerta máximo para impedir novos ataques. O Vaticano manifestou "dor e preocupação" pela "horrível violência", mas seu porta-voz, Federico Lombardi, evitou fazer comentários de natureza étnica ou religiosa.
Conflitos do Quênia
A discrepância sócio-política entre os quicuios e as demais etnias explica os conflitos no Quênia.
Durante toda sua história, o Quênia foi considerado um dos mais pacíficos países de todo continente africano. Contudo, no final de 2007, violentos conflitos deram fim à boa fama da região em um episódio marcado pela morte de milhares de pessoas. Diversos homens munidos de facões invadiram uma favela em Nairóbi, capital do país, provocando uma série de linchamentos, estupros, mutilações, incêndios e assassinatos.
Essa ação extremada foi uma resposta ao fraudulento processo eleitoral que oficializou a reeleição do presidente Mwai Kibaki, membro da etnia quicuio. De fato, esta sangrenta manifestação foi produto das rixas existentes entre os quicuios e as demais tribos e etnias que também habitam esse país. Para entendermos melhor essa rivalidade, é necessário voltarmos nossos olhos para o processo de colonização desenvolvido pelos britânicos entre os séculos XIX e XX.
Ao iniciar a ocupação do Quênia, os europeus realizaram o transporte de enfermidades animais que simplesmente dizimaram uma significativa parcela do gado presente no país. Em pouco tempo, milhares de pessoas sofreram com epidemias geradas pela má alimentação e bruscos processos de concentração populacional. Contudo, enquanto algumas tribos perderam boa parte de seus integrantes com tais problemas, outros conseguiram resistir à falta de alimento e às epidemias.
No caso do quicuios, a devastação produzida pela ocupação européia permitiu que os mesmos se tornassem o grupo tribal majoritário dentro do Quênia. Além disso, ao longo da ocupação britânica, desfrutaram de vantagens e benefícios que os colocaram em posição desigual em comparação às outras tribos também presentes na região. Um exemplo disso se deu na própria construção da capital Nairóbi, localizada nas proximidades das terras dos quicuios.
Com o passar das décadas, somente os quicuios tiveram oportunidade de estudar nas escolas britânicas e, consequentemente, aumentar suas chances de ingressar nos cargos políticos e administrativos do estado queniano. Apesar disso, não podemos deixar de assinalar que essa população também sofreu com as imposições da ação imperialista quando tiveram suas terras tomadas para que outro tipo de exploração econômica fosse nelas implantado.
No contexto do processo de descolonização afro-asiático, os quicuios organizaram a rebelião Mau-Mau, uma importante revolta que contribuiu para o processo de independência do Quênia. Quando decidiram finalmente retirar suas instituições do país, no começo da década de 1960, os ingleses preferiram repassar o poder para uma pequena elite de quicuios proprietários de terra. Com isso, mais um ponto da desigualdade entre as tribos locais se perpetuava.
A hegemonia política e econômica dos quicuios no país reflete todo um processo de desigualdades sofrido desde o período da experiência imperialista. Contudo, cabe aos representantes políticos dessa maioria étnica reconhecer e ampliar os direitos de participação política e social dos luias, calenjins, luos, cambas, mijiquendas, somalis e outras tribos que ocupam esse mesmo território. Caso contrário, as discrepâncias e conflitos oriundos da ação imperialista tendem a ganhar maior profundidade.
O interminável conflito na República Democrática do Congo
O interminável conflito na República Democrática do Congo
DA DEUTSCHE WELLE
Vinte anos após o genocídio, Ruanda vive momento de relativa paz.
Mas do outro lado da fronteira, no leste congolês, guerra envolvendo milicianos ruandeses da etnia hutu mantém a violência presente. Kikuny é "o advogado"? o homem por trás da milícia Raia Mutomboki, que significa "povo enfurecido".
Ele explica o nome do grupo, que atua em vários vilarejos do leste da República Democrática do Congo (RDC), mostrando uma coleção de crânios humanos.
Ele conta que vem de um pequeno vilarejo três vezes incendiado pelas chamadas Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), uma milícia hutu, mesma etnia responsável pelo genocídio de 1994. Como não havia qualquer proteção à população local, eles formaram a Raia Mutomboki.
E guardam os crânios dos mortos pela FDLR para justificar sua luta. "Mostramos esses crânios à comunidade internacional para ilustrar a verdade", diz Kikuny.
O presidente de Ruanda, Paul Kagame, também costuma mostrar aos visitantes em seu país os ossos e crânios das vítimas do genocídio de 1994, como prova do genocídio.
"Também mostramos as caveiras das nossas vítimas, porque já estamos fartos do falatório. A comunidade internacional deve entender que temos nossas razões para nos revoltarmos. Se não, vão matar todos nós", continua Kikuny.
ATROCIDADES DE AMBOS OS LADOS
A fuga de milhões de ruandeses do genocídio de 1994 fez com que o conflito chegasse também ao vizinho Congo. A FDLR, que abriga muitos dos que participaram do massacre, é um dos maiores fatores que levam a guerra a continuar no Congo, enquanto Ruanda, duas décadas depois, vive uma paz duradoura. Os campos de refugiados na RDC estão superlotados.
Só na província de Kivu, no norte do país, mais de um milhão de pessoas se amontoam em buscam de abrigo. Algumas famílias vivem há anos em condições miseráveis, dependendo de doações de alimentos. Ao serem questionados sobre quais ameaças eles temem em seus povoados, os congoleses sempre mencionam a FDLR.
A milícia reuniu, em 1994, também soldados do antigo Exército de Ruanda, que haviam sido expulsos por Kagame, o atual presidente, e seus rebeldes.
"O que incita repetidas vezes a guerra em nossa região, Masisi, é a presença da FDLR. Já é hora de eles retornarem à sua terra, Ruanda, caso contrário os congoleses jamais conseguirão viver em paz", diz Jeremi Hangi, porta-voz do campo de Minova, no leste do Congo.
A FDLR possui cerca de mil combatentes.
Hoje, eles se dizem protetores dos 20 mil refugiados hutus no Congo, em grande parte mulheres e filhos de milicianos.
Para poder alimentar os refugiados, a milícia costuma saquear povoados, se apropriando das colheitas ou expulsando os congoleses de suas próprias terras. Os congoleses lutam contra esse reinado de terror.
No início, apenas congoleses tutsis pegaram em armas para enfrentar os extremistas hutus. Agora, 20 anos após a ocupação, há milicianos da Raia Mutomboki em quase todos os vilarejos afetados pela violência.
No que se assemelha a uma revolta popular, milhares de combatentes da Raia Mutomboki passaram a promover uma caçada à FDLR nos vilarejos. O que o líder da milícia ruandesa não comenta, porém, é que seus homens também cometem atrocidades, esquartejando a golpes de facão filhos e mulheres de seus rivais.
CHANCE À PAZ
Desde então, os ruandeses do FDLR estão em fuga com suas famílias. Há tempos eles já não têm força suficiente para travar uma guerra contra seu país.
Ainda assim, a milícia hutu insiste em negociar com o governo tutsi de Ruanda, como afirma o comandante da FDLR, o coronel Stany. "O regime em Ruanda se refere a nós como genocidas e terroristas. Isso é mera propaganda. Queremos ser vistos com ruandeses, como qualquer outro. O mundo nos esqueceu", afirma.
O coronel vê sua milícia na condição de vítima.
A acusação de genocídio levou agências das Nações Unidas a congelarem a ajuda a refugiados hutus. As crianças da FDLR cresceram nos últimos 18 anos no Congo sem poder frequentar escolas e sem a oportunidade de conhecer sua terra natal. "Não somos subumanos. Também temos o direito de participar no desenvolvimento de nosso país", diz o coronel Stany.
A FDLR tentou repetidas vezes negociar com o governo de Ruanda, porém em vão.
A ONU desistiu de tentar persuadir a milícia a aceitar o desarmamento voluntário no Congo. As forças de paz no país preparam uma ofensiva militar para dar o golpe final na FDLR. Os congoleses, 20 após o genocídio, podem ter uma chance de, finalmente, viver em paz.

