segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Um Pouco sobre os efeitos da Primavera Árabe

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_%C3%81rabe

 

 

País

Data de início Status Resultado Situação
 Tunísia 18 de dezembro de 2010 Governo deposto em 14 de janeiro de 2011 Derrubada de Zine El Abidine Ben Ali; Ben Ali e sua família fogem para o exílio na Arábia Saudita[35]
  • Renúncia do primeiro-ministro Ghannouchi
  • Dissolução da polícia política
  • Dissolução da RCD, o antigo partido dirigente da Tunísia,[36] com a expulsão de seus membros do governo[37] e liquidação de seus ativos
  • Libertação de presos políticos
  • Eleições para a Assembleia Constituinte em 23 de Outubro de 2011
  • Protestos na Tunísia em 2013–2014 contra o governo interino liderado pelos islamitas.
  • Adoção de uma nova constituição
  • Em outubro de 2014, com a eleição de um parlamento e o fim da transição, a Tunísia, torna-se uma república parlamentar unicameral.[38]
governo deposto
 Argélia 29 de dezembro de 2010 Encerrado em Janeiro de 2012
  • Suspensão do estado de emergência de 19 anos
grandes protestos
 Jordânia 14 de janeiro de 2011 Encerrado
  • Em fevereiro de 2011, o rei Abdullah II demite o primeiro-ministro Rifai e seu gabinete
  • Em outubro de 2011, Abdullah demite o primeiro-ministro Bakhit e seu gabinete depois de queixas do progresso lento das reformas prometidas
  • Em abril de 2012, como os protestos continuam, Al-Khasawneh renunciou, e o rei nomeia Fayez al-Tarawneh como o novo primeiro-ministro da Jordânia
  • Em outubro de 2012, o rei Abdullah dissolve o parlamento para novas eleições antecipadas, e nomeia Abdullah Ensour como o novo primeiro-ministro da Jordânia[39]
protestos e mudanças governamentais
 Omã 17 de janeiro de 2011 Encerrado em maio de 2011
  • Concessões econômicas pelo sultão Qaboos
  • Demissão de ministros
  • Concessão de poderes legislativos ao legislativo eleito de Omã
protestos e mudanças governamentais
 Egito 25 de janeiro de 2011 Dois governos derrubados (em fevereiro de 2011 e julho de 2013). Violência contínua. Derrubada de Hosni Mubarak, que mais tarde é condenado por corrupção e solicitado para ser julgado por ordenar a morte de manifestantes. Protestos sobre a imposição de uma declaração constitucional temporária pelo presidente Mohamed Morsi seguido por um golpe de Estado.
Insurgência no Sinai
  • Forças Armadas do Egito lançam operações militares anti-terroristas no Sinai.
  • Aumento da violência e ataques por insurgentes desde a queda do Morsi. [51]
Dois governos derrubados
(governo Mubarak depostogoverno Morsi deposto)
 Iêmen 27 de janeiro de 2011 Dois governos derrubados (em fevereiro de 2012 e janeiro de 2015). Violência contínua. Derrubada de Ali Abdullah Saleh; Saleh recebe imunidade judicial. Distúrbios sectários fomentados sob Abd Rabbuh Mansur Hadi, desestabilizam o país e levam a um golpe de Estado. Dois governos derrubados
(governo Saleh depostogoverno Hadi deposto)
 Djibouti 28 de janeiro de 2011 Encerrado em março de 2011 protestos menores
 Somália 28 de janeiro de 2011 Encerrado protestos menores
 Sudão 30 de janeiro de 2011
  • Presidente Bashir anuncia que não iria procurar um novo mandato em 2015
  • O presidente Bashir, no entanto, é escolhido como candidato do partido governante para eleição de 2015 [54]
grandes protestos
 Iraque 12 de fevereiro de 2011 Encerrado em janeiro de 2014
  • Primeiro-ministro Maliki anuncia que não vai concorrer a um terceiro mandato;
  • Renúncia de governadores provinciais e autoridades locais
  • Libertação de 3.000 prisioneiros,[55] incluindo 600 presos do sexo feminino
  • Estado Islâmico lança ofensivas no norte do Iraque capturando Mosul e grandes porções do território
  • Potências hegemônicas regionais e extra-regionais, incluindo o Irã e os Estados Unidos, entram na guerra ao lado do governo iraquiano para derrotar o Estado Islâmico
guerra civil e mudanças governamentais
 Bahrain 14 de fevereiro de 2011 em andamento
  • Concessões econômicas pelo rei Hamad
  • Libertação de presos políticos[56]
  • Negociações com os representantes xiitas
  • Intervenção do Conselho de Cooperação do Golfo, a pedido do Governo do Bahrein
  • Chefe do Aparato de Segurança Nacional removido do posto
desordem civil e mudanças de governo
 Líbia 17 de fevereiro de 2011 Governo deposto em 23 de agosto de 2011. Violência contínua. Derrubada de Muammar Gaddafi; Gaddafi morto por forças rebeldes Crise social e política
(governo Gaddafi depostoguerra civil em curso)
 Kuwait 19 de fevereiro de 2011 Encerrado em dezembro de 2012 protestos e mudanças governamentais
 Marrocos 20 de fevereiro de 2011 Encerrado em março-abril de 2012 protestos e mudanças governamentais
 Mauritânia 25 de fevereiro de 2011 Encerrado protestos menores
 Líbano 27 de fevereiro de 2011 Encerrado em dezembro de 2011 Protestos se encerram, mas conflito sectário se agrava devido a violência na vizinha Síria. [58]
  • Caos no governo, incluindo um interregno presidencial prolongado e cancelamento das eleições parlamentares. [59]
protestos e mudanças governamentais
(conflito civil em curso)
 Arábia Saudita 11 de março de 2011 Encerrado
  • Concessões econômicas pelo rei Abdullah
  • Eleições municipais unicamente masculinas realizadas em 29 de setembro de 2011
  • Rei Abdullah anuncia aprovação das mulheres votarem e serem eleitas nas eleições municipais de 2015 e serem nomeadas para o Conselho Shura
protestos menores
 Síria 26 de janeiro de 2011 em curso

País imerso em uma cruel e brutal guerra civil:[60]

  • Bashar al-Assad responde inicialmente com violência policial nas manifestações, mas vendo que o conflito se tornou mais intenso, e que seus oponentes começaram a dominar cidades, ordenou bombardeios aéreos e ataques de mísseis a todas as cidades sob controle rebelde, além de enviar tropas para combater.
  • Grandes deserções do exército sírio e confrontos entre soldados e desertores
  • Formação do Exército Sírio Livre
  • O Exército Sírio Livre assume controle de grandes porções de terra em toda a Síria.
  • Batalhas entre o exército do governo sírio e o Exército Sírio Livre em muitas províncias.
  • Formação do Conselho Nacional Sírio
  • Síria suspensa da Liga Árabe
  • Vários países reconhecem governo sírio no exílio
  • Combatentes curdos entram na guerra até meados de 2013
guerra civil em curso
Irão Khuzistão 15 de abril de 2011 Encerrado em 18 de abril de 2011 grandes protestos
 Israel 15 de maio de 2011 Encerrado em 5 de junho de 2011
  • Manifestações árabes nas fronteiras de Israel
grandes protestos
 Emirados Árabes Unidos Detenções feitas em nome da segurança nacional e alguns ativistas tiveram sua nacionalidade revogada. Alguns ativistas deportados.[61] [62] protestos menores
 Palestina 4 de setembro de 2012 Encerrado
  • Posteriormente, o primeiro-ministro palestino Salam Fayyad declara que está "disposto a renunciar"
  • Fayyad renuncia em 13 de abril 2013, mas por causa das diferenças políticas entre ele e o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas sobre o financiamento da pasta

domingo, 9 de agosto de 2015

Um puco da História da Nigéria

Massacre na Nigéria deixa 528 cristãos mortos

Pelo menos 528 agricultores de aldeias cristãs foram assassinados desde sábado em confrontos com pastores muçulmanos no centro da Nigéria, o país mais populoso da África. Em pelo menos três aldeias ao sul de Jos, capital do Estado de Plateau, homens, mulheres e bebês foram cortados a golpes de facão e tiveram seus corpos queimados.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, ordenou que a polícia nigeriana ficasse em estado de alerta máximo para impedir novos ataques. O Vaticano manifestou "dor e preocupação" pela "horrível violência", mas seu porta-voz, Federico Lombardi, evitou fazer comentários de natureza étnica ou religiosa.

Conflitos do Quênia

A discrepância sócio-política entre os quicuios e as demais etnias explica os conflitos no Quênia.
Durante toda sua história, o Quênia foi considerado um dos mais pacíficos países de todo continente africano. Contudo, no final de 2007, violentos conflitos deram fim à boa fama da região em um episódio marcado pela morte de milhares de pessoas. Diversos homens munidos de facões invadiram uma favela em Nairóbi, capital do país, provocando uma série de linchamentos, estupros, mutilações, incêndios e assassinatos.
Essa ação extremada foi uma resposta ao fraudulento processo eleitoral que oficializou a reeleição do presidente Mwai Kibaki, membro da etnia quicuio. De fato, esta sangrenta manifestação foi produto das rixas existentes entre os quicuios e as demais tribos e etnias que também habitam esse país. Para entendermos melhor essa rivalidade, é necessário voltarmos nossos olhos para o processo de colonização desenvolvido pelos britânicos entre os séculos XIX e XX.
Ao iniciar a ocupação do Quênia, os europeus realizaram o transporte de enfermidades animais que simplesmente dizimaram uma significativa parcela do gado presente no país. Em pouco tempo, milhares de pessoas sofreram com epidemias geradas pela má alimentação e bruscos processos de concentração populacional. Contudo, enquanto algumas tribos perderam boa parte de seus integrantes com tais problemas, outros conseguiram resistir à falta de alimento e às epidemias.
No caso do quicuios, a devastação produzida pela ocupação européia permitiu que os mesmos se tornassem o grupo tribal majoritário dentro do Quênia. Além disso, ao longo da ocupação britânica, desfrutaram de vantagens e benefícios que os colocaram em posição desigual em comparação às outras tribos também presentes na região. Um exemplo disso se deu na própria construção da capital Nairóbi, localizada nas proximidades das terras dos quicuios.
Com o passar das décadas, somente os quicuios tiveram oportunidade de estudar nas escolas britânicas e, consequentemente, aumentar suas chances de ingressar nos cargos políticos e administrativos do estado queniano. Apesar disso, não podemos deixar de assinalar que essa população também sofreu com as imposições da ação imperialista quando tiveram suas terras tomadas para que outro tipo de exploração econômica fosse nelas implantado.

No contexto do processo de descolonização afro-asiático, os quicuios organizaram a rebelião Mau-Mau, uma importante revolta que contribuiu para o processo de independência do Quênia. Quando decidiram finalmente retirar suas instituições do país, no começo da década de 1960, os ingleses preferiram repassar o poder para uma pequena elite de quicuios proprietários de terra. Com isso, mais um ponto da desigualdade entre as tribos locais se perpetuava.
A hegemonia política e econômica dos quicuios no país reflete todo um processo de desigualdades sofrido desde o período da experiência imperialista. Contudo, cabe aos representantes políticos dessa maioria étnica reconhecer e ampliar os direitos de participação política e social dos luias, calenjins, luos, cambas, mijiquendas, somalis e outras tribos que ocupam esse mesmo território. Caso contrário, as discrepâncias e conflitos oriundos da ação imperialista tendem a ganhar maior profundidade.

O interminável conflito na República Democrática do Congo

O interminável conflito na República Democrática do Congo

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/dw/2014/04/1436961-o-interminavel-conflito-na-republica-democratica-do-congo.shtml

DA DEUTSCHE WELLE  

Vinte anos após o genocídio, Ruanda vive momento de relativa paz.

Mas do outro lado da fronteira, no leste congolês, guerra envolvendo milicianos ruandeses da etnia hutu mantém a violência presente. Kikuny é "o advogado"? o homem por trás da milícia Raia Mutomboki, que significa "povo enfurecido".

Ele explica o nome do grupo, que atua em vários vilarejos do leste da República Democrática do Congo (RDC), mostrando uma coleção de crânios humanos.

Ele conta que vem de um pequeno vilarejo três vezes incendiado pelas chamadas Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), uma milícia hutu, mesma etnia responsável pelo genocídio de 1994. Como não havia qualquer proteção à população local, eles formaram a Raia Mutomboki.

E guardam os crânios dos mortos pela FDLR para justificar sua luta. "Mostramos esses crânios à comunidade internacional para ilustrar a verdade", diz Kikuny.

O presidente de Ruanda, Paul Kagame, também costuma mostrar aos visitantes em seu país os ossos e crânios das vítimas do genocídio de 1994, como prova do genocídio.

"Também mostramos as caveiras das nossas vítimas, porque já estamos fartos do falatório. A comunidade internacional deve entender que temos nossas razões para nos revoltarmos. Se não, vão matar todos nós", continua Kikuny.

ATROCIDADES DE AMBOS OS LADOS

A fuga de milhões de ruandeses do genocídio de 1994 fez com que o conflito chegasse também ao vizinho Congo. A FDLR, que abriga muitos dos que participaram do massacre, é um dos maiores fatores que levam a guerra a continuar no Congo, enquanto Ruanda, duas décadas depois, vive uma paz duradoura. Os campos de refugiados na RDC estão superlotados.

Só na província de Kivu, no norte do país, mais de um milhão de pessoas se amontoam em buscam de abrigo. Algumas famílias vivem há anos em condições miseráveis, dependendo de doações de alimentos. Ao serem questionados sobre quais ameaças eles temem em seus povoados, os congoleses sempre mencionam a FDLR.

A milícia reuniu, em 1994, também soldados do antigo Exército de Ruanda, que haviam sido expulsos por Kagame, o atual presidente, e seus rebeldes.

"O que incita repetidas vezes a guerra em nossa região, Masisi, é a presença da FDLR. Já é hora de eles retornarem à sua terra, Ruanda, caso contrário os congoleses jamais conseguirão viver em paz", diz Jeremi Hangi, porta-voz do campo de Minova, no leste do Congo.

A FDLR possui cerca de mil combatentes.

Hoje, eles se dizem protetores dos 20 mil refugiados hutus no Congo, em grande parte mulheres e filhos de milicianos.

Para poder alimentar os refugiados, a milícia costuma saquear povoados, se apropriando das colheitas ou expulsando os congoleses de suas próprias terras. Os congoleses lutam contra esse reinado de terror.

No início, apenas congoleses tutsis pegaram em armas para enfrentar os extremistas hutus. Agora, 20 anos após a ocupação, há milicianos da Raia Mutomboki em quase todos os vilarejos afetados pela violência.

No que se assemelha a uma revolta popular, milhares de combatentes da Raia Mutomboki passaram a promover uma caçada à FDLR nos vilarejos. O que o líder da milícia ruandesa não comenta, porém, é que seus homens também cometem atrocidades, esquartejando a golpes de facão filhos e mulheres de seus rivais.

CHANCE À PAZ

Desde então, os ruandeses do FDLR estão em fuga com suas famílias. Há tempos eles já não têm força suficiente para travar uma guerra contra seu país.

Ainda assim, a milícia hutu insiste em negociar com o governo tutsi de Ruanda, como afirma o comandante da FDLR, o coronel Stany. "O regime em Ruanda se refere a nós como genocidas e terroristas. Isso é mera propaganda. Queremos ser vistos com ruandeses, como qualquer outro. O mundo nos esqueceu", afirma.

O coronel vê sua milícia na condição de vítima.

A acusação de genocídio levou agências das Nações Unidas a congelarem a ajuda a refugiados hutus. As crianças da FDLR cresceram nos últimos 18 anos no Congo sem poder frequentar escolas e sem a oportunidade de conhecer sua terra natal. "Não somos subumanos. Também temos o direito de participar no desenvolvimento de nosso país", diz o coronel Stany.

A FDLR tentou repetidas vezes negociar com o governo de Ruanda, porém em vão.

A ONU desistiu de tentar persuadir a milícia a aceitar o desarmamento voluntário no Congo. As forças de paz no país preparam uma ofensiva militar para dar o golpe final na FDLR. Os congoleses, 20 após o genocídio, podem ter uma chance de, finalmente, viver em paz.

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